domingo, 22 de abril de 2012

Relato de um noveleiro, talvez também um novelista.


Por Rafael Barbosa dos Santos

Olá caros leitores, estou de volta. E neste post pretendo contar a vocês como começou meu amor pelas novelas, que sempre fizeram parte da minha vida, que marcaram cada fase, cada momento, enfim vou dividir com vocês, esse sentimento que tenho pela a arte, pela dramaturgia, e que é o que me da mais prazer hoje em dia.  Bem, nasci em Presidente Venceslau, interior de São Paulo, no dia 12 de dezembro de 1992. Tenho 19 anos. Muita gente acha estranho, afinal o pessoal da minha idade, prefere sair por ai farrear, ir para as festas, azarar e coisas do tipo, enquanto eu prefiro ficar em casa, ler um livro e claro sentar na TV com a família e assistir minha sagrada novelinha. Desde que me entendo por gente assisto novelas, não sei o porquê, mais me encantei pelo produto desde muito cedo, eu mergulhava nas historias, não perdia um capitulo, prestava atenção, me envolvia com aqueles personagens, eu viajava, era como se fizesse parte daquele mundo, agora pensem comigo, como uma criança de quatro anos, pode gostar tanto assim de uma novela? Eu gostava de desenhos animados, filmes, mais minha paixão sempre foi a bendita novela, me lembro que no inicio ainda não sabia que era tudo mentirinha, que aqueles na televisão eram só personagens interpretados por pessoas comuns, fui descobrindo isso aos poucos, e cada vez mais ia me interessando, e meu amor pela dramaturgia, só fazia aumentar. Com cinco e seis anos, já era chamado de noveleiro, meus pais ficavam surpresos, porque eu sabia tudo das novelas, nome dos atores, personagens e tudo o que acontecia, respondia a qualquer pergunta feita sobre o assunto, às vezes era considerado fanático, chorava quando perdia um capitulo, muitas vezes preferia ficar em casa assistindo, a ir passear. Agora me fala, existe criança assim? Fui crescendo e essa paixão, só aumentando. Acordava de manhã, e ficava ansioso para ver o capitulo, e quando era o ultimo então, não me passava outra coisa na cabeça a não ser a novela. Quando uma acabava ficava triste, prometia que não ia gostar da próxima, mais bastava o primeiro capitulo pra já me apaixonar de novo. As primeiras cenas que surgem na minha cabeça são de o Rei do gado, a abertura, e as cenas da boiada, os planos da fazenda, estão na minha memória até hoje. Depois veio a indomada, tinha quatro anos, e era só aquele batuque contagiante da abertura tocar, que eu já estava na frente da TV, dançando (KKK). Adorava a vilã Altiva. Uma cena que não esqueço é a volta de Helena a protagonista para Grenville, e a vez que ela é picada por um escorpião. Me lembro muito bem de Por amor, a abertura me marcou muito, e cenas como a de Eduarda jogando a vilã Laura na piscina de cadeira de rodas e tudo, não esqueço nunca, e aquele “per amoré”, cantado por Zizi Possi, também é inesquecível. Zazá, também foi uma das primeiras novelas que assisti, não posso esquecer-me também, da mexicana A usurpadora, eu adorava a Historia das gêmeas.  

Mais a primeira novela que eu acompanhei pra valer, sem perder um capitulo, e que eu posso contar a historia de cabo a rabo é Laços de Família, tinha Sete anos de idade, e a historia de Manoel Carlos me conquistou, me arrastando de vez para esse universo tão mágico, que nos permite sonhar, imaginar, sorrir, chorar, enfim ali nascia a minha historia de amor com a novela. Nunca dividi com Ninguém esse meu amor, até porque muita gente, principalmente os garotos da minha idade achariam esquisito, enquanto eles ficavam na rua, brincando de pega-pega, esconde e esconde, e policia e ladrão, eu estava em casa só pensando em novela. Enfim esse amor foi crescendo cada vez mais, eu brincava sozinho, repetia as cenas que assistia na minha cabeça, imitava as falas, recriava toda a historia na minha mente, foi ai que comecei a perceber, que alem de assistir e de se fã, eu também podia criar minhas próprias historias.  E então passei a imaginar o prazer que seria, criar uma historia e de vê-la passando na TV, como seria se os atores, dissessem aquilo que você escrevia, que aquilo que você imaginou fosse criado, acontecesse, ganhasse formas, cores e vida e que milhares de pessoas vissem. Enfim, essa minha vontade de criar historias, só aumentava, foi criando frutos, desabrochando cada vez mais. Fui ficando mais curioso para saber, o que acontecia por detrás das câmeras, como a novela era feita, como era montada, como acontecia, como os autores criavam, queria saber tudo que estava por trás daquelas maravilhas que víamos na televisão. Depois de criar minhas historias, decidi que não podia imaginá-las e simplesmente esquecê-las, foi ai que comecei a passar para o papel, tudo aquilo que eu imaginava e ia escrevendo a próprio punho. Antes mesmo de saber o que era uma sinopse, uma escaleta, um roteiro, e todas as técnicas para escrever uma novela, eu ia criando e deixando minha imaginação rolar solta. Minhas primeiras historias, eram influenciadas por aquilo que eu via na TV, por todas as novelas que eu já havia assistido, eram nessas novelas que eu me inspirava. E assim nasceu minha primeira obra digamos assim (rs), tinha 16 anos, ela se chamava Rivalidade, contava a historia de dois amigos, que se apaixonam por uma mesma mulher, e devido a armadilhas do destino acabam se tornando grandes rivais enquanto um é dado como morto, o outro passa a viver a vida do amigo, e se torna um homem extremamente importante, assim começa a busca de um pela vida perdida e a luta do outro para se manter em seu lugar. Era uma historia simples com cerca de 30 personagens, a escrevi em 89 capítulos, todos manuscritos, isso mesmo, a novela encheu uns dois cadernos de 200 folhas. E para não dizer que estou mentindo, confiram:

Não liguem para letra não tá, sempre foi um garrancho, ainda mais quando se escrevia dez páginas por dia, kkk.  Bem eu não escrevia o roteiro, diálogos, nada disso apenas narrava o capitulo. Confesso que ainda era um tanto quanto ignorante no assunto, não me preocupava em fazer direito, em fazer o certo, só deixava a minha imaginação e criatividade rolar solta. Outras historias apareceram, perdi sono só pensando, imaginando personagens, possíveis tramas, possíveis diálogos, pensava na trilha sonora, nas chamadas, no elenco, enfim era como se a novela que eu escrevia, fosse exibida todinha, nessa minha cachola maluca. A principio via isso com um hobby, escrevia porque gostava mais daí, comecei a me perguntar: E se um dia eu fosse descoberto, e se um dia uma dessas minhas historias, fosse produzida, será que posso chegar lá, será que eu tenho chance? A partir daí começa a minha busca por informações, a minha sede de aprender, passei a revirar a internet, pesquisando, descobrindo sites, blogs, livros, e aí me deparei com o Roteiro. Comecei a investigar, como era feito um roteiro, como desenvolver os diálogos, descrever as cenas, criar um personagem, comecei a conhecer todos os termos técnicos, a saber como criar a estrutura de um roteiro, e comecei a enxergar que além da imaginação, sensibilidade, e criatividade, existe todo um processo de criação,  fui ai que percebi que escrever novela, mais precisamente um roteiro não era tão simples, exige muito estudo, muita pesquisa, muita prática. Se pensam que desanimei, estão enganados, não desanimei nada, continuei a pesquisar e a praticar, escrevi mais duas sinopses, bem fraquinhas e amadoras (reconheço), que foram publicadas no site do escritor, do qual eu era freqüentador assíduo. Depois disso, muita gente que compartilha o mesmo sonho que eu, passou a entrar em contato comigo, a me incentivar, me dar força e me apoiar. Tive a chance de entrar em um grupo de discussão sobre roteiros, onde tive acesso a sinopses, e capítulos de grandes sucessos da teledramaturgia brasileira, e a vários materiais de estudo. Li muito, e fui me aperfeiçoando, hoje posso dizer, que sei escrever um roteiro, claro que muito amador, nada de muito profissional, pois ainda tenho muito chão, muita poeira pra comer, muito caminho pela frente. Hoje sou autor de mais de 15 sinopses de novelas, e uma minissérie, sinopses não, na verdade idéias de possíveis sinopses. Eu tento conciliar, meu trabalho, meus estudos, outros compromissos, minha paixão por escrever e claro a minha sagrada novelinha. Porque das 6 da tarde às 21 da noite, eu estarei no sofá na cama, sem dúvidas com a TV ligada assistindo a minha novela, porque afinal, não deixei de ser um noveleiro, sou mesmo, e vou ser até o fim da minha vida, e se a novela um dia vier acabar, minha vida não terá a mesma graça. Escrever novelas é o meu maior sonho, poder ver pelo menos uma delas sendo produzida, passando na TV, nossa é o que eu mais queria na vida. Hoje já tenho contato com muita gente que como eu tem o mesmo sonho, inclusive foi ai nessas pesquisas pelo assunto que conheci o meu Parceiro Raul, que me ajuda aqui no blog.  Tenho muitas idéias, toco esse blog, onde divido com vocês agora um pouco da minha historia, estudo, escrevo atualmente estou trabalhando no roteiro de um filme, para poder participar do concurso do Aguinaldo Silva, inclusive adquiri o DVD dele, onde aprendi muito. Já pensei em desistir, em abandonar esse sonho, porque sei que é difícil, chegar onde eu quero, ainda mais sendo eu um jovem de interior, que não tenho um caminho a seguir, que não conheço gente do meio, que sou pobre e ainda não tenho nenhuma formação, talvez me falte coragem de ir à luta, mais estou me preparando, para abrir asas e sair voando por aí, em busca de construir com tijolo por tijolo, o meu sonho, e vê-lo tornar realidade. Poucos, muito poucos mesmo sabem dessa minha vontade de escrever, por isso é muito importante para mim escrever este relato. Talvez eu esteja no caminho errado, talvez eu não seja Autor e roteirista nem aqui e nem na China, ainda tenho muito a aprender, e quero aprender, estudo e trabalho, pretendo ganhar dinheiro, conquistar minha independência pagar minha faculdade de jornalismo, meus cursos voltados para roteiro, onde pretendo me aperfeiçoar, picar a mula de Venceslau onde vivo até hoje, e sair neste mundão, atrás do meu objetivo maior, afinal agente não vive só de planos, é preciso também realizações. Às vezes me acho um maluco, “É Rafael, só você mesmo pra achar que pode escrever novela pra televisão, larga de bobagem, vai prestar um concurso e deixa de pensar em bobeira”, porem depois desse momento de pessimismo e desanimo, volto logo a sonhar a pensar, fazer planos, escrever enfim, acho que esse é um amor que nunca vai acabar. Posso não ser um noveslita, posso não realizar o sonho de escrever profissionalmente, mais uma coisa é certa, noveleiro eu serei sempre, não há quem me mude, mesmo eu estando com 90 aninhos, estarei lá sentado em uma cadeira frente a televisão e acompanhando novas historias e as vidas dos personagens, para mim novela, é isso, novela é sonho, novela é uma anestesia para os dramas da vida, nos faz esquecer dos nossos próprios problemas, das nossas próprias dificuldades, e olha que são muitos os meus dilemas em. Então é isso termino o meu depoimento aqui, quem leu até aqui fica o meu muito obrigado, e espero que tenham conhecido um pouquinho mais de mim. Bom o que era para seu um post, sobre as cenas mais marcantes dos últimos anos e da minha vida, acabou virando este depoimento, mais o post com as cenas virá logo. Fico por aqui, até o próximo post. Abraços e beijos. 

5 comentários:

  1. cara... parece que li um relato meu! kkk' sério mesmo, claro que perdi "por amor" (viva o canal viva! kkk') "o rei do gado" e tals na exibição da globo, mas foi bem assim mesmo, noveleiro desde pequeno, com a diferença que já na 3°série eu lembro que falava de novela com as profes e depois sofria bullying, pra mim não basta assistir, tem que conversar, mas que pega mal, isso pega! (*p.S: nunca liguei pro que falam de mim msm) kkkkk' mas uma coisa eu digo, eu sinto a msm coisa, imagino as msm coisas (trilha, chamada de elenco *--*) e tenha um cd cheio de "sinopses" que quem sabe um dia sejam remodeladas e passem na tv, o importante é não desistirmos de nosso sonhos, pois só quem sonha consegue realizar! abraços.

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  2. Rafa, eu te entendo, como te entendo! Eu já te falei que sentimos a mesmo coisa desde daquele meu primeiro texto, lembra? Bom, mas agora você pegou pesado, parceiro! Eu poderia te dizer isso só pra você, mas vou dizer aqui mesmo para quem quiser ler, sem vergonha nenhuma que, seus últimos parágrafos me roubaram algumas lágrimas. Nós vamos conseguir, eu sei que vamos. Abraço

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  3. Mais um blog pra mim visitar...
    Adorei seu blog, acho que muito do que falou, é o que também acho. Parabéns.

    www.jurandir.dalcin.zip.net - Blog de Novelas.

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  4. Obrigado, seja bem vindo Jurandir, contamos com voce.

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  5. Parabéns pelo relato, Rafael. Não é qualquer pessoa que tem a coragem de descortinar sua história pessoal dessa forma. Me indentifiquei com o seu relato. Parece uma novela, mas é a novela da vida real.

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